25 de abril de 2008

24 de abril de 2008

Que alívio!

O alívio foi geral, mas, principalmente, para alguns militantes e simpatisantes que já se interrogavam se, caso o dr. Jardim ganhasse a presidência do partido, o PSD Madeira passaria a nacional e o do continente a regional. Mas o que o teria feito ficar-se nas covas? Certamente, a falta da vaga de fundo do povo profundo, aproveitada pela alta burguesia do Porto, para se impôr. O empenho, tão interessado, do dr. Menezes, em promovê- -lo, também não deve ter ajudado. E depois, quem sabe, talvez o dr. Santana lhe tenha prometido, caso ele desistisse e o apoiasse, uma boa ajuda para as futuras presidenciais, quando o dr. Cavaco se despedisse. Aguardemos agora o seu regresso à sua ilha e as bojardas que de lá nos enviará.

23 de abril de 2008

Socorro!

Se ouvi bem, no noticiário televisivo das 13 horas do Canal 1, dava-se a informação que também o dr. Alberto João Jardim podia vir a ser candidato à presidência do PSD. De imediato, perguntei-me: Será verdade? Mesmo sem tropas, como ele declarou? E logo me respondi: Mas tem a admiração e simpatia de dois pesos pesados, o Presidente da República e o Presidente da Assembleia. Engoli em seco, fiquei mudo, e depois pensei, martirizando-me: Com tais garantias, se ele se candidatar pode vir a ser presidente do PSD, e se assim for, mais tarde ou mais cedo, pode vir a ser 1º ministro. Perante este cenário comecei a suar, e ainda estou a suar. Que fazer?

21 de abril de 2008

Aviso à navegação

Para minha surpresa, a comunicação social, por ingenuidade, estupidez ou má-fé, informa-nos que o professor Marcelo declarou, no seu programa televisivo, excluir-se de candidato à presidência do PSD. Mas não, não foi isso que ele deu a entender. O que, explicadamente, deu a entender, é que se este, aquele e aqueloutro, que identificou, não avançassem, e os que restassem não preenchessem mínimos credíveis, ele, por uma questão moral, faria o sacrifício (?) de se candidatar. Ou seja, se me quiserem, já sabem o que devem fazer. Mas será que o querem?

Não dar ponto sem nó

O professor Marcelo Rebelo de Sousa, através do seu porta-voz, o comentador político, Marcelo Rebelo de Sousa, que ontem, domingo, dia 20 deste Abril de águas mil, nas suas escolhas televisivas, se desdobrou em longos e exaustivos considerandos sobre os diversos cenários que, conforme os presumíveis candidatos, aguardavam a sucessão de Luís Filipe Menezes, explicou que não era nem queria ser candidato à presidência do PSD, mas (há sempre um mas) se ninguém, efectivamente, confirmasse a sua disponibilidade para chefiar o partido, como no passado já acontecera, ele, então, uma vez mais, sentir-se-ia na obrigação moral de avançar, para salvar o PSD. Perceberam?

18 de abril de 2008

Choques!

Uma pessoa, às tantas, já nem sabe para onde se há-de virar. É de perder a cabeça. E estes últimos dias têm sido de arrazar. Bem sei que houve o acordo, não, o entendimento entre o M.E. e a Frente Comum dos Sindicatos, embora a pessoa fique a pensar porque não fizeram eles, logo de princípio, um esforço, para se entenderem. Bem sei que logo seriam acusados de recuos, mas, ao fim e ao cabo, agora também não se livraram da acusação. Mas aquela viagem à Madeira do Presidente, foi mesmo de roer as unhas. Então ele aceita que não o deixem pôr os pés na Assembleia? Então ele dá cobertura às declarações insultuosas de Jardim, para com os deputados da oposição, aos quais chamou de loucos, a um deles rotolou-o, mesmo, de fascista? E agora anda a mostrar um contentamento bacoco com os programados banhos de multidão que lhe andam a oferecer. Mas mal refeitos destes tristes episódios, vem o desastre do Benfica. E quem pode ficar indiferente a isto? Eu não, que sou um fervoroso, agora desconsolado, adepto do glorioso, desde que nasci, ou mesmo antes. No entanto, antes derrotados pelos aristocratas do Sporting do que pela alta burguesia do Porto (nisto estou com o Jardim). Mas o mais perturbador veio agora. O inefável Menezes, sentindo-se traído pelos seus pares, veio-nos informar que se demitia e que ia marcar eleições antecipadas, para as quais não seria candidato. Claro que o que ele diz escreve-se, mas é como não se escrevesse. O que ele pretende é que haja uma vaga de fundo, das chamadas bases, que afogue os chamados barões, e o confirme como o amado guia do PSD. Desconfio que todos os outros partidos, com o PS à cabeça, estão ansiosos para que tal aconteça. Além de ser divertido, é uma garantia para todos tê-lo à frente do PSD, na companhia do Santana Lopes, do Gomes da Silva e do Ribau. Que mais irá acontecer!?

15 de abril de 2008

Como é possível?

Não votei no professor Cavaco Silva para a Presidência da República, por alinhar nas reservas à sua personalidade política vindas de vários quadrantes. Reconheço, no entanto, que até ao presente tais reservas não se confirmaram, muito pelo contrário. Aliás, nunca nelas se incluiu, creio, o seu relacionamento com a Madeira, mais precisamente com o "patrão" dela, que sempre foi de algum distanciamento e prudência. E, por isso, a minha perplexidade quanto ao que se está a passar com a viagem à dita. Como é possível que o Presidente da República aceite a substituição duma sessão solene, de boas vindas, na Assembleia Regional, por um jantar, e não reaja, na hora, às declarações insultuosas do senhor Alberto João Jardim, que os noticiários televisivos transmitiram, e os jornais registaram, para todo o país? O bando de malucos (houve outros mimos) a que ele se refere é ao conjunto de deputados da oposição eleitos democraticamente pelos madeirenses. É, na verdade, um mistério ainda não desvendado, a complacência sempre havida para com as acções e declarações provocatórias de quem quer, pode e manda do Presidente Regional da Região Autónoma da Madeira, por muita autónoma que ela seja, e ainda muito mais queira ser.
António Vitorino, em amena conversa com Judite de Sousa, ambos algo divertidos, nas suas últimas notas televisivas, embora condenando a permissividade do Presidente, ao aceitar não ser recebido pela Assembleia Regional, louvou a obra e condenou o estilo do senhor da Madeira. Quanto à obra, era só o que faltava que depois de tantos anos de poder absoluto, nada tivesse sido feito de positivo e até de bonito. Mas quanto custou e a quem custou a dita obra? E as opções terão sido as melhores? Talvez um dia se venha a saber. Quanto ao estilo, chamar estilo ao habitual, indigno e triste comportamento da pessoa em questão, é, realmente, ser muito complacente.

14 de abril de 2008

A Rábula

Ontem foi o dia da representação semanal televisiva do Professor. Como sempre, um primor! Não resisto a noticiá-la. Durante toda a primeira parte, desde logo na apresentação dos livros com apartes, a visar o governo, a argumentação crítica, o discurso metralhado, balançando o corpo, gesticulando com energia, com esgares irónicos e olhares acerados. Depois, no segundo acto, com a necessidade inevitável de comentar as actuações dos dirigentes do seu PSD, que muita celeuma e repúdio têm provocado, a postura já foi outra muito diferente. Os olhos, modestamente, baixaram para a papelada de apoio, a cara serenou, a voz amainou, o gesto tornou-se sóbrio. O caso não era para menos. Havia que ralhar forte, mas não magoar muito. E, então, a condenação veio, severa, mas não indignada, e sempre precedida, como quem não quer a coisa, de observações justificativas. E o exemplo mais flagrante de tal procedimento verificou-se quando o Professor verberou o ataque, torpe sublinho eu, à jornalista Fernanda Câncio. É que antes de o fazer, teve o cuidado de salientar que o PSD tinha muitas razões de queixa do PS, e que ele, Professor, de uma maneira geral, discordava dos pareceres da jornalista. Mas, pensei eu na altura, e desculpem-me a expressão, que tinha o cú a ver com as calças? Enfim, habilidades!
É verdade, já me esquecia, desta vez as notas atribuidas aos camaradas de partido, ficaram-lhe na algibeira. Enfim, esquecimentos!

11 de abril de 2008

Haja decência!

Desejo exprimir a mais firme solidariedade à jornalista Fernanda Câncio e expressar o mais vivo repúdio pelas torpes insinuações vindas do PSD (quero crer que dentro dele haja quem se sinta incomodado). Todos sabem do que falo, embora muitos dos opiniosos que para aí proliferam, sempre prontos a criticar, se mantenham em silêncio.

10 de abril de 2008

Consciências Mortas (continuação)

Não pensava voltar ao tema, mas quando se fala de cinema, quando falo de cinema, as recordações são avassaladoras e é difícil travá-las. A paixão é já mais, muito mais, contida, mas ainda existe.
O filme, "Cidade Abandonada", fez-me recordar o, "Consciências Mortas", e este, por sua vez, muitos outros, embora seja só um deles que pretendo trazer à baila, "Seven Man From Now" ("Sete Homens Para Abater", entre nós).
Mais um filme de cowboys, também ele pouco conhecido, também ele estreado, modestamente, no Olímpia. E também ele, digo, excelente, para não sobrecarregar a expressão obra-prima. Antes de prosseguir, um passo atrás, para voltar a "Consciências Mortas", e dizer o que não disse, que dos três enforcados, um era interpretado por Anthony Queen e outro por Dana Andrews, e que o forasteiro que lia a carta era o Henry Fonda, aquele Henry Fonda que três anos antes, no papel de Tom Joad, de "As Vinhas da Ira", de John Ford, jura à mãe, antes de partir, estar sempre presente onde houvesse uma injustiça, para contra ela protestar. E ele estava lá! "Sete Homens Para Matar" é de um realizador pouco badalado, chamado Budd Boetticher. Foi um artigo extremamente elogioso do crítico francês André Bazin que me alertou para o filme e me fez correr para o Olímpia logo que soube que ele estava lá a ser exibido.
É uma história trágica e violenta. Uma mulher é assaltada, violada e morta, por sete melientes, na ausência do marido. Este parte em perseguição dos assassinos, para os apanhar e fazer justiça. A caminhada é longa, a pradaria é bela e selvagem, as peripécias são muitas, há encontros inesperados, a justiça é feita, a pouco e pouco. Mas não há banhos de sangue, não há violência gratuita. A morte de um homem pode ser dada através de o som de um tiro, do sobressalto de um cavalo e do seu olhar espavorido. É uma das sete maneiras. O herói é o canastrão do Randolph Scott, um cara de pau que Boetticher consegue transformar num marido pesaroso, mas muito íntimo, e num excelente pistoleiro. Boetticher é sóbrio, inventivo, tem o sentido do trágico, mas também do humor. Fez sete westerns, e este é aquele que deveria constar daquela lista de "1001 filmes para ver antes de morrer". E não é!

9 de abril de 2008

Consciências Mortas

Há dias comprei um DVD a preço de saldo, não propriamente por esse motivo, mas por ser um western (não resisto a um filme de cowboys) realizado por um homem chamado William Wellman e interpretado por Gregory Peck, Anne Baxter e Richard Widmark. Muitos ainda se lembrarão dos três actores, mas do realizador penso que poucos. O filme, Yellow Sky (entre nós, Cidade Abandonada), de um saudoso preto e branco, data de 1948, tem um tema estafado, uma realização segura mas sem chama, um Gregory Peck simpático, um Widmark inquietante, e uma Anne Baxter desenvolta, mas ainda longe da sublime EVA que lhe valeu um Óscar. E sobre o filme está tudo dito. Aliás a notícia é apenas o pretexto, para eu recordar um outro, também de Wellman, chamado The Ox Bow Incident (entre nós, Consciências Mortas), de 1943, esse, sim, uma obra- -prima indiscutível. Um filme relativamente pouco conhecido que na verdade nunca me canso de recordar. Foi, então, muito mal recebido nos EUA e chegou a ser proibido em Inglaterra, na altura, repleta de soldados americanos a prepararem-se para o desembarque na Normandia.
É a história infame de um linchamento. Três homens, três vaqueiros, são acusados de terem invadido um rancho, tendo roubado e morto os donos. De nada lhes vale reclamar inocência, sendo enforcados no próprio local onde tinham acampado para passar a noite. Mas logo após a execução vem--se a saber que não tinham sido eles os assassinos.
É um episódio terrível que uma linguagem fílmica de grande sobriedade, rigor e contida emoção, inteligentemente, escalpeliza. Como esquecer a imagem daqueles ramos descarnados das árvores, com as cordas a balouçar, recortados contra o céu, ou o devastador final, em que o forasteiro, que impotente a tudo assistiu, lê, no salão onde todos os responsáveis estão reunidos, a carta que uma das vítimas escreveu à mulher e aos filhos a despedir-se.
Vi, pela primeira vez, Consciências Mortas, no velho e pecaminoso Olímpia, onde o filme se estreou. Sei que saí com as lágrimas nos olhos e um soluço na garganta. Tinha então quinze ou dezasseis anos. Mas quando muitos anos depois o voltei a ver, a emoção invadiu-me de novo. Ele é, sem dúvida, um dos filmes de cowboys da minha vida.

8 de abril de 2008

Notícias da Madeira

O senhor Rui Alves, presidente do Clube Desportivo Nacional da Madeira, deu uma entrevista à Antena 1, que não ouvi, e outra ao Diário de Notícias, que li. Nesta, não desmente que não gosta de ser português e que não gosta da cultura portuguesa, explica que também não gosta da língua, porque é difícil de falar, afirma que os madeirenses não gostam dos portuguesas, e confirma que em 2011 abandona o País. Boa viagem!
Do Congresso Regional do PSD/Madeira, não ligando aos inevitáveis elogios ao chefe e aos habituais "mimos" deste, não posso deixar de registar que o dr. Filipe Menezes, Presidente do PSD, no seu delirante discurso, garantiu que "com um PSD à moda da Madeira" vencerá José Socrates, e dará ao País uma nova Constituição, e à Madeira "uma autonomia sem limites".
Deu entrada na Assembleia Regional da Madeira uma proposta para a construção de uma estátua do dr. Alberto João Jardim, o querido guia do povo madeirense. Uma estátua de 50 metros de altura, em bronze ou de outro metal nobre. E esta, hein?

3 de abril de 2008

Adivinhem do que estou a falar

Estou inteiramente de acordo com as duas senhoras. Aquelas declarações devem ter sido ditas a gozar com o parceiro. Os "peixes de águas profundas" têm um grande sentido de humor.

2 de abril de 2008

À atenção do autor

De um artigo do Diário de Notícias, de 29/03/08, com o qual, de uma maneira geral, até concordo, respigo o seguinte período: "Desde logo, os pais não desculpam os filhos a quem vestem a farda - e as escolas, se desrespeitadas nos seus códigos, metem as criancinhas à porta." Metem?
Pobres crianças metidas, assim, dentro de uma porta. E ninguém deu pelo disparate?