4 de janeiro de 2013
Chandler & Marlowe
Voltando ao assunto e à entrevista do escritor John Banville, na revista LER, queria ainda acrescentar, sobre Philip Marlowe, criatura do escritor Raymond Chandler, o seguinte, embora sabendo que Banville não me vai ler: Marlowe nasceu em 1905, por isso ele informa o general Sterwood, no princípio de The Big Sleep, escrito em 1938, que tinha 33 anos. Quanto a paixões, ele realmente teve duas, uma, platónica, por Anne Riordan (ele pode seduzir uma duquesa mas nunca corromperá uma virgem), e outra, carnal, por Linda Loring, e quanto a cenas de sexo, há pelo menos três, embora sem pormenores escusados, com Linda em, The long goodbye, e com Miss Vermilyea e depois Betty Mayfield, em, Playback. Não, Marlowe não é um sentimental, mas é um homem de consciência que toma por vezes atitudes que podem passar por sentimentais. É verdade que não há notícia de ele ter estado nos campos de batalha da Europa ou da Ásia, durante a guerra, o que não significa que não tenha exercido qualquer actividade, por exemplo na contra-espionagem. Não esquecer que depois de The lady in the lake, escrito em 1941/2, ele só vai reaparecer em 1949. E por aqui me fico, embora houvesse mais que dizer.
3 de janeiro de 2013
Chandler & Marlowe
Faço parte da legião dos admiradores de Raymond Chandler, consequentemente, não podia deixar escapar o primeiro número da LER deste ano, que anunciava na primeira página: PHILIP MARLOWE volta com John Banville. John Banville é um escritor irlandês que parece pertencer à lista de candidatos ao Nobel. Confesso que para mim é um desconhecido. No interior da revista há uma entrevista com o escritor que revela que será o seu pseudónimo, Benjamim Black, que assinará o seu livro sobre Marlowe, e emite algumas opiniões que me deixam algo perplexo. Claro que Marlowe não existiu, mas considerá-lo apenas um personagem literário e não querer sentir que ele existiu ou podia ter existido, como creio que Chandler tenha chegado a sentir, não me parece a melhor abordagem. Dizer que vai tornar Marlowe mais duro, que ele era um sentimental, que nos seus livros há pouco sexo, que ele, inimaginavelmente, não evitava avançar para situações em que podia ser espancado ou mesmo morto, que era alcoólico, que estava apaixonado por Terry Lennox, parecem-me ideias preocupantes e erradas. Desconfio que John Banville, na altura da entrevista, ainda não tinha lido ou relido, com a devida atenção, os romances e as cartas de Chandler sobre Marlowe. O que irá ele fazer de Marlowe e em que época situará ele a história sobre Marlowe? Philip Marlowe morreu no dia em que morreu Raymond Chandler, no dia 29 de Março de 1959. No meu livro, Chandler & Marlowe, por mim editado, apenas escrito para familiares e amigos, descrevi a morte de Marlowe, onde e como ela se verificara, e num capítulo, que posteriormente escrevi, para uma hipotética 2ª edição desse livro imagino o encontro entre Chandler e Marlowe, antes do primeiro enveredar pela vida de escritor e o segundo pela detective particular. Lamento, sorridente, que Benjamim não tenha oportunidade de os ler.
30 de novembro de 2012
Eleições, já!
- O Novembro não nos vai deixar saudades. O orçamento de estado, geralmente desacreditado por personalidades de vários quadrantes, repudiado pela oposição parlamentar e com claro desagrado de muitos deputados da maioria, lá foi, mesmo assim, aprovado pela Assembleia. A entrevista do primeiro ministro, homem envelhecido, insensível e obstinado, não foi uma desilusão porque ninguém esperava que fosse diferente daquilo que foi. O caminho para o desastre vai continuar, e agravado. A única novidade foi o novo penteado da entrevistadora Judite de Sousa. Uma centena de personalidades, encabeçada por Mário Soares, enviou uma carta ao primeiro ministro, com cópia para o presidente da República, exigindo que o governo mude de rumo ou ele se demita. Não vi o nome de todos os signatários, mas julgo que não estão lá alguns que deviam estar, e no meio dos primeiros quarenta, um fez-me sorrir com algum desprezo. A carta dá-nos alguma satisfação moral, mas, claro, dela pouco ou nada resultará. Além disso, fez-me recordar que Mário Soares bem podia escrever uma pequena carta aberta ao povo português, desculpando-se de certos elogios paternais a Passos Coelho, há alguns meses atrás. E preparem-se, que o Dezembro vai ser pior.
28 de novembro de 2012
Alternativa V
Ouvir Vitorino, político socialista, ex-ministro e ex-comissário europeu, é sempre um prazer, pela forma como expõe, e sempre útil, pelo conteúdo do que diz. Deu ontem uma entrevista à TVI, feita pela Judite de Sousa, sobre a situação do país. Desejo só referir-me ao seguinte. A uma pergunta sobre a eventual queda do governo, Vitorino diz, grosso modo, que isso provocaria uma crise política que é o que o país menos precisa. Ou seja, depreende-se, do que o país menos precisa é de eleições, o que sempre aconteceria se o governo caísse, pois, diga-se, em aparte, Vitorino discorda, e bem, de governos de iniciativa presidencial. Judite não perguntou, então, a Vitorino, se não achava que em crise política já o país andava há muito tempo. Se achava que só se deveria ir para eleições quando o pais estivesse devastado, com um desemprego galopante, um povo empobrecido, esfomeado, uma economia inexistente. Se achava que só se deveria ir para a única solução aceitável de uma alternativa, ou seja eleições, depois do descalabro que o orçamento de estado para 2013, em que ele próprio não acreditava, iria provocar. Se achava que se o governo caísse e fossemos para eleições, a Europa nos fechava a porta, preferindo um Portugal obediente e bem comportado, a um Portugal que não aceitava uma austeridade selvagem imposta por uma troika mercenária, não aceitava ser transformado num mercado de mão de obra barata, cada vez menos qualificada, ao serviço dos países ricos, mas estava disposto a respeitar os seus compromissos e cumprir os seus deveres, mantendo os seus direitos de pais soberano e europeu. Era isto, no mínimo, que gostaria que tivesse sido perguntado a Vitorino.
27 de novembro de 2012
Alternativa IV
Informam-me que há uma sondagem do jornal "I" segundo a qual 70% dos portuguesas não querem eleições. Espantoso! Porque isso significa que 70% dos portugueses recusam a única alternativa aceitável para tentar travar esta nossa caminhada para a indigência, ou seja, 70% dos portugueses ou não estão a ser afectados pela actual situação, e por isso para eles está tudo bem, muito obrigado, ou estão, mas conformados, pensando que não há nada a fazer, que nenhum governo faria melhor. Claro que dos primeiros, a percentagem mais pequena, fazem parte ministros, secretários de estado, assessores, gestores, os belmiros, os jerónimos, os santos, e todos aqueles que vivem acima das nossas possibilidades, não das deles. Dos segundos fazem parte aqueles que, com restantes 30%, bem vão amargar com a chegada do orçamento para 2013. Insisto! A única alternativa para evitar a caminhada para o abismo para o qual estamos a ser levados é: consulta eleitoral, eleições.
26 de novembro de 2012
Alternativa III
O historiador Pacheco Pereira, militante do PSD, onde já foi figurão, crítico implacável e maldoso do governo socialista e do seu primeiro ministro, José Sócrates, escreveu sábado passado no Público, um artigo dirigido aos intelectuais do país, em particular, penso, aos do seu quadrante político, face à situação política e social. Um artigo bem escrito, bem estruturado, onde diz muitas verdades, mas onde não apresenta nenhuma solução, nenhuma sugestão para o que se deve fazer, nada que possa inverter a caminhada para o abismo. Pacheco Pereira sabe que, como ele, os intelectuais da maioria parlamentar, PSD e CDS, e, infelizmente, não só eles, recusam a queda do governo e a consulta eleitoral, (única alternativa aceitável e urgente), como sabe que esta maioria, com os seus intelectuais, a mando do governo, ou seja a mando do impressionante Gaspar, não aceitou quaisquer alterações significativas ao orçamento, propostas pela oposição, e que o vai aprovar na integra. Então, este artigo dirigido aos intelectuais apela a quê, para que se faça o quê? Pois é, critica-se, comenta-se, opina-se, mas quando se chega à altura da alternativa, diz-se que ela não existe. Enfim, eu diria que este é, convenientemente, um artigo para inglês ver. Insisto: A ALTERNATIVA É A QUEDA DO GOVERNO SEGUIDA DE ELEIÇÕES.
25 de novembro de 2012
Voltando à alternativa
Atenção, eu disse que era uma missão impossível. Infelizmente a esmagadora maioria dos portugueses de todos os quadrantes, embora descontentes, não se vão juntar e através das forças políticas, sociais, judiciais e sindicais, forçar o Governo a antecipar eleições demitindo-se ou forçar o Presidente a destituir-lo, dissolver a Assembleia e convocar eleições. Eu sei isso, como sei que só alterando a lei eleitoral constitucional o período eleitoral poderia ser de meia dúzia de dias (ganhando-se tempo, dinheiro e eficácia). E também sei que nunca o Presidente juraria destituir um Governo que não cumprisse o programa que apresentara ao eleitorado. E, finalmente, também sei, e não tenho a menor dúvida, que a única alternativa que temos, para tentar evitar o abismo que nos é espera, é a consulta eleitoral, são as eleições. Por isto e por aquilo, têm medo de eleições? Glosando alguém: Que tem medo compra um cão!
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