24 de julho de 2008
É burrice!
Errar é humano, mas insistir no erro é burrice! A comunicação social, não sei se toda, continua a dizer que o Presidente da República promulgou o acordo ortográfico. Ainda hoje ouvi tal asneira na TVI, dita também pelo sr. dr. Miguel Sousa Tavares. Caramba, é difícil perceber que o que P.R. fez foi ratificar o acordo? Promulgado já ele estava.
19 de julho de 2008
É a minha opinião!
É a minha opinião, quero dá-la, e faço-o já a frio. Aquilo não é uma simples sátira, não é liberdade de expressão, aquilo é difamação, é assassinato político. A caricatura do candidato à presidência dos EUA, com túnica e turbante como se fosse um árabe, acompanhado da mulher caricaturada como terrorista, de metralhadora a tiracolo, ambos de punhos fechados a tocarem-se, na Sala Oval, onde na lareira arde uma bandeira americana e na parede se expõe um retrato de Bin Laden, não é uma gracinha de mau gosto, é um ataque ofensivo, intencional e premeditado.
No editorial do Público, do passado dia 15, o director do jornal, diz que "a capa do New Yorker mostra que se deve defender sempre a liberdade de expressão (ela tem as costas cada vez mais largas, digo eu) e o direito à sátira (mesmo sendo infamante?, pergunto eu) e lembra-nos que os cidadãos não têm de ser tratados como tolos". Pois, pois! mas a verdade é que os cidadãos foram tratados como tolos, e tanto assim que o New Yorker já tinha no bolso a justificação. Logo que várias vozes se ouviram a considerar as caricaturas, racistas, sexistas, provocadoras, o jornal veio a declarar que, pelo contrário, a intenção era denunciar os ataques ao senador. Pois, pois!
Não sou pela censura, pela proibição, nem que se chame a polícia (o director do Público diz que por cá é o que se faz: chama-se a polícia). Mas a verdade é que em jornal que fosse meu não se publicaria uma coisa daquelas, nem sequer aquela outra, que foi agora recordada, do Papa com um preservativo pendurado no nariz. E não sou católico, nem crente, e até considero que a religião é um dos males da humanidade. Mas, apenas por uma questão de higiene!
No editorial do Público, do passado dia 15, o director do jornal, diz que "a capa do New Yorker mostra que se deve defender sempre a liberdade de expressão (ela tem as costas cada vez mais largas, digo eu) e o direito à sátira (mesmo sendo infamante?, pergunto eu) e lembra-nos que os cidadãos não têm de ser tratados como tolos". Pois, pois! mas a verdade é que os cidadãos foram tratados como tolos, e tanto assim que o New Yorker já tinha no bolso a justificação. Logo que várias vozes se ouviram a considerar as caricaturas, racistas, sexistas, provocadoras, o jornal veio a declarar que, pelo contrário, a intenção era denunciar os ataques ao senador. Pois, pois!
Não sou pela censura, pela proibição, nem que se chame a polícia (o director do Público diz que por cá é o que se faz: chama-se a polícia). Mas a verdade é que em jornal que fosse meu não se publicaria uma coisa daquelas, nem sequer aquela outra, que foi agora recordada, do Papa com um preservativo pendurado no nariz. E não sou católico, nem crente, e até considero que a religião é um dos males da humanidade. Mas, apenas por uma questão de higiene!
2 de julho de 2008
As entrevistas
Assisti às duas, à da presidente do PPD/PSD, a senhora Manuela Ferreira Leite, e à do primeiro-ministro, o senhor José Socrates, e um único comentário se me impõe. Sem ofensa, não é possível comparar serradura com pão ralado.
22 de junho de 2008
E a burra é ela?
Pela leitura dos jornais, fica-se com ideia que, segundo afirmam os altos representantes dos professores, e corroboram os habituais fazedores de opinião, as provas de aferição do 4º e 6º anos e os exames do 9º ano, nasceram sob o signo do facilitismo.
Já se sabe que nas provas de aferição houve, realmente, menos negativas, mas isso não nos deve alegrar, porque, pelos vistos, tal não significa que os alunos tenham aprendido mais, nem que os professores tenham ensinado melhor. Foi, apenas, o facilitismo, o responsável.
Se, por ventura, os resultados dos exames do 9º ano, como naturalmente se espera, forem positivos, com muito menos negativas, e mais bons e muito bons, encolhamos os ombros resignadamente, porque foram as facilidades, e não o bom trabalho de professores e alunos, as responsáveis. Quer dizer, professores e alunos não passam da cepa torta.
E a burra é a ministra?
13 de junho de 2008
O Debate
Ao ter escolhido, para o debate quinzenal na Assembleia da República, o tema combustíveis, antes mesmo do acordo conseguido com os representantes dos camionistas, o primeiro-ministro desarmou a oposição que, estranhamente, não se mostrou à vontade para falar dos acontecimentos, nem conseguiu alternativas convincentes de discussão. A agressividade teatral do dr. Portas, e as suas perguntas de algibeira, não impressionaram (cada vez impressionam menos), e a habitual má disposição provocadora dos verdes, foi só isso. Bloquistas e comunistas, surpreendentemente, estiveram discretos, o PSD, inócuo, só quiz passar o tempo. Mota Amaral, o escolhido para defrontar o primeiro-ministro, revelou, passivo e bem humorado, que já não tinha idade, nem paciência, para tais andanças.
O primeiro-ministro safou-se bem, sim, mas não evitou que tivesse ficado no ar a ideia que tinha havido, da parte do Estado, falta de autoridade. E houve. O lock-out, que existiu, e que é ilegal, e que é proibido, não foi penalizado. O governo conseguiu, célere, um acordo, sem cedências em pontos chave, mas fê-lo sobre pressão. Não foi um bom precedente.
11 de junho de 2008
Quem avisa amigo é
O sr. primeiro-ministro está a perder o pé, o que dá muita satisfação àqueles que apostam no "quanto pior melhor" (e sabemos quem eles são), mas que não é nada bom para o país. Depois de ter desistido do ministro Correia de Campos (para satisfazer o dr. Alegre), da sua complacência para com os patrões-pescadores (para acalmar o dr. Alegre), agora, a sua tibieza face aos patrões-camionistas (o dr. Alegre também está com eles?), que começam a lançar o país num verdadeiro caos. Sr. primeiro-ministro, até agora não gostavam de si, mas respeitavam a sua firmeza, a sua determinação, daqui para a frente, se teimar na via guterrista que agora parece ter escolhido, além de continuarem a não gostar de si, vão também perder-lhe o respeito. Assim, nas próximas legislativas, nem a maioria relativa vai conseguir, e lá se vai tudo pela água abaixo.
6 de junho de 2008
O Imenso Adeus
Uma edição, com nova tradução, de um livro do escritor Raymond Chandler, tratando-se para mais do seu romance de maior apreço, daquele que, mais do que qualquer outro, atravessa a fronteira entre o bom policial e o bom romance, não se pode deixar que passe em claro. Eu não posso! Contista, romancista, epistológrafo, Chandler faz parte, por direiro próprio, do rico filão dos escritores norte-americanos da primeira metade do século XX, que inclui, entre outros, Dreiser, Fitzgerald, Hammett, Hemingway, Salinger. A vasta e variada bibliografia sobre a sua obra testemunha-o à evidência.
Ainda não tive ocasião de apreciar esta nova tradução que oxalá não desiluda e esteja à altura da de Mário-Henrique Leiria, a primeira, já velhota, salvo erro, de 1954.
Sobre Chandler e a sua obra, escrevi um pequeno livro que intitulei: Chandler & Marlowe. Trabalhei nele durante quinze anos, com muitas interrupções, naturalmente, e terminei-o, à pressa, em fins de 2004, quando descobri que, no ano seguinte, Philip Marlowe, o detective criado por Chandler, e protagonista de todos os seus romances, faria 100 anos, se tivesse existido e fosse vivo. E em 2005, prestando homenagem ao centenário da criatura, editei o livro, 50 exemplares, para oferecer a familiares, amigos e conhecidos. E por aí me fiquei.
A descoberta dos 100 anos tem uma explicação. Em The Big Sleep, seu romance de estreia, Chandler pôs o detective, logo no início, a declarar que tinha 33 anos. Ora o livro, embora publicado em 1939, foi escrito em 1938, e se Marlowe revela ter 33 anos, é porque teria nascido em 1905, o que é o mesmo que dizer que o centenário do seu nascimento cai em 2005. Simples e conciso.
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