2 de novembro de 2022

Manojas: Eu e o Brasil

 

Viva o Brasil! Viva o Lula! Abaixo o Bolsonaro! Lula da Silva venceu as eleições e será de novo o Presidente democrata do Brasil. Foi, é um alívio, mas não uma despreocupação. Basta olharmos o resultado  final da votação: Lula 50,9% e Bolsonaro 49,1%. É o Brasil dividido ao meio com a particularidade de todos os votos em Bolsonaro serem os votos dos incondicionais do bolsonarismo, mas nem todos os votos em Lula, muito pelo contrário, serem por ele, mas apenas contra o seu adversário. Lula, na sua governação, não vai ter o apoio unânime do Brasil da direita, esquerda e centro democráticos, mas vai ter contra ela, também, toda a raiva política dos bolsonaristas e seus capangas.  O futuro próximo do Brasil, vai ser agitado, difícil, perigoso. Oxalá, muito sincera e sentidamente o digo, me engane nestas minhas breves e modestas considerações e previsões. Mas de descendência brasileira, tinha e devia tomar posição, e, sim, contra o fascismo bolsonarista, como, antes, sempre o tomei, como português, contra o fascismo  salazarista. Tenho sangue brasileiro, a minha avó materna era brasileira, tenho, penso ainda ter, amigos brasileiros, e não esqueço o que muito aprendi, e me orientou, com a muita e ávida leitura da literatura brasileira. Assim, ansioso e expectante pelo que de lá virá,  por aqui me fico. E, viva o Brasil!                                                              

2 de outubro de 2022

 

Surpreendido, mas muita admiração, li o artigo do professor universitário Viriato Soromenho Marques, intitulado "Dentro do pandemónio", publicado no Diário de Noticias, de ontem, dia 1 de outubro, e transcrito no blogue  Estátua de Sal, de hoje, dia 2. que se refere à sabotagem dos pipelines Nordstream 1 e 2 e faz alguns comentários à situação conflituosa que, não só a Europa, mas todo o nosso mundo está a enfrentar. Com muito poucas excepções, a estupidez, cegueira, irresponsabilidade, falsidade, de muitas das notícias que jornais e TV nos têm transmitido, sobre a situação referida, é avassaladora.        Entendi, assim, que era bem merecido que o Manojas aconselhasse no nosso blogue a leitura do artigo de alguém que é alguém.

 

24 de setembro de 2022

A GUERRA É UM CRIME

 Nasci cerca de 10 anos antes do início da Guerra Civil Espanhola e da Segunda Grande Guerra Mundial, tendo-as acompanhado até ao fim, até aos meus 17 anos. Foram para mim as primeiras, mas não as últimas, como, aliás, já anteriormente tinha havido muitas mais.                                                      A chamada guerra, nasceu, cresceu e desenvolveu-se com o ser humano, faz parte dele, da existência dele, da nossa vida. Os dicionários e enciclopédias definem-na como uma luta armada entre duas ou mais nações, ou, até, mas apenas em sentido figurado, como uma rixa, contenda ou inimizade, entre pessoas ou famílias. Eu diria que a guerra é um crime, o mais grave dos crimes de morte cometidos pelo ser humano.                                                                                                                                                Do meu tempo, são ainda estas guerras: a Colonial,  a do Golfo, a do Vietname, a do Iraque, a da Síria,  a do Líbano, a do Afeganistão, as dos Israelos-Árabes,  e sei lá quantas mais, e do próximo fim dele, do meu tempo, esta guerra  que agora nos atormenta, a da Rússia vs Ucrânia, que começa já a ser a da Rússia vs NATO, o que nos leva a temer que venha a haver, no futuro, uma guerra atómica ou termonuclear, ou seja, a guerra do fim da humanidade.                                                                             Já tive ocasião de comentar aqui, neste meu blogue, o conflito da Rússia com a Ucrânia, confirmando que, indubitavelmente, foi a Rússia que o iniciou, a Ucrânia que o provocou, o Ocidente, encabeçado pelos EUA, apoiado pela UE e demais subalternos seus, que o alimentou e continua a alimentar, como se esse fosse o melhor caminho para ganhar a paz. Não era, não é, mas como perder a oportunidade de enfraquecer o inimigo, senão arrastando-o para uma guerra sem fim previsível?                                      A Rússia e a Ucrânia, envolvidas, há muito, num ressentimento mútuo que as faziam e fazem odiar-se, enveredaram pelo confronto, a primeira acusando a segunda de nazismo e não aceitando que esta se filie na NATO, abandonando a sua neutralidade em relação a si, a segunda com um passado recente nada louvável, teimando precisamente no contrário, deixar de ser neutral, e insistir em bater à porta da NATO. E veio a invasão, a que Putin chamou "operação militar especial" e deu a missão de "desmilitar" e "desnazificar",  que se transformou numa guerra que nos oprime e assusta.                                   Guerra é guerra, as justificações dadas não ilibaram, não ilibam, pois, os presidentes da Rússia, Putin, da Ucrânia, Zelensky, dos EUA, Biden, do crime assumido, o desencadear , provocar, alimentar, a guerra. essa guerra que, porventura no mínimo, iria destruir um país, e matar milhares, e de civis inocentes: homens, mulheres, crianças. O que já aconteceu e vai continuar.                                             Esta guerra não devia mesmo ter acontecido. Só que, quem podia ter tentado travá-la, ou no mínimo adiá-la, não o fez, aceitando, interesseiramente, propósitos alheios, coincidentes com os seus. Refiro-me, naturalmente, ao endeusado e ganancioso Zelensky, e aos ambiciosos objectivos políticos dos EUA, o vir a ser o dono disto tudo.                                                                                                                   Seja como for, este conflito Rússia Vs Ucrânia é apenas mais um episódio, embora distante e indirecto, do confronto, já antigo, mas não esquecido, entre os EUA e a Rússia  soviética, a URSS, que se foi agravando a partir dos fins da Segunda Grande Guerra Mundial, até à Guerra Fria entre as duas potências, que, favorável aos EUA, originou a queda da União Soviética. Só que a Rússia, propriamente dita, sobreviveu, e, embora humilhada, fragilizada e em crise, foi-se recompondo, até voltar a ser uma potência a considerar. E o confronto, adormecido, mas não esquecido, regressou, intransigente e sem fim à vista. E a Ucrânia foi o pretexto para elas se avaliarem. Para a Rússia ela seria mais um partido armado pela NATO, com longas fronteiras abertas e as armas apontadas para si. Daí as queixas de  que estava a ser ameaçada. Para os EUA, no entanto, a Ucrânia  apenas estaria a reforçar a defesa do Ocidente.                                                                                                                                                 Putin não terá avaliado devidamente a resistência ucraniana, nem imaginado a desabrida reacção ocidental, e Biden terá sonhado que talvez tivesse chegado a altura de ser ele a conseguir sero dono disto tudo. Vamos lá saber?                                                                                                                      Mas sabemos que estamos e vamos estar em guerra, e que esta está e vai estar muito perto de se tornar um desastre nuclear.
















 do Líbano,    

6 de setembro de 2022

Manso é que não é.

 Fiz alguns comentários a textos da autora do blogue (Um jeito manso). Nunca me respondeu directamente  às  explicações que eu entendia dar-lhe nem nunca tentou concretizar as acusações que insinuava sobre o que eu dizia, fazia ou pensava. Acabou  por não publicar o que eu lhe escrevia. Desafiei--a a enviar para o meu blogue os comentários que eu lhe tinha enviado, que comprovariam ou não as razões da sua atitude. Até agora não fez. Assunto encerrado. Para quê insistir, para quê enervar-lhe, ainda mais, a mansidão.

2 de setembro de 2022

POTUGAL ESTÁ EM FESTA

 Vá lá, não encolham o ombros, festa é festa, e as de hoje merecem ser valorizadas. O arranque da 46ª Festa do Avante do PCP e o Benfica ter obtido a 9ª vitória consecutiva futebolística oficial da presente temporada. Digo-o com sincera satisfação, mas alguma tristeza, senão muita, pois a saúde e a idade (ai os noventa) não me têm permitido estar presente no Estádio da Luz, onde fui à sua inauguração e assisti à estreia do Eusébio (sou, fui, sócio desde os 7 anos), nem à Quinta da Atalaia onde se abriga, actualmente, a Festa do Avante a cuja estreia também assisti, e acompanhei durante alguns anos. Que saudades! Viva o Benfica e viva a Festa do Avante do PCP.

Não, não sou militante partidário político, nunca fui, mas se tivesse sido, era dele.


22 de agosto de 2022

Para a História da Literatura Policial Portuguesa que um dia alguém há-de escrever -27

 PRINCIPAIS PROTAGONISTAS/INVESTIGADORES DA LITERATURA POLICIAL PORTUGUESA 

RUSTY BROWN, pseudónimo do escritor Miguel Barbos, detective marginal, sempre sem cheta, sem eira nem beira, desenrascado, imprevisível, mulherengo, escritor narrador das suas loucas e divertidamente inventadas aventuras, iniciadas em 1982.

DIPLOMATA (DIPLO), alguém que tendo fortuna própria, resolveu dedicar a sua vida a perseguir  os maus e a ajudar os bons. As suas aventuras começaram a ser relatadas, em 1983, pelo escritor Artur Cortez, pseudónimo do escritor Modesto Navarro, que em 1993, assina um romance onde dá o protagonismo  a Artur Cortez e revela que este é o Diplomata, conhecido por DIPLO. O criador e as suas criaturas são uma e a mesma pessoa.

Dr. DUQUE, o cartomante do raciocínio, como o apelidou o seu criador, Reinaldo Ferreira, o Repórter X, que o descreveu como um homem perto dos quarenta anos, de olhos azuis, magro, pálido, feio, distinto de aparência, e divulgou as suas proezas detectivescas através da publicação, em 1929 e 1930, das suas memórias extraordinárias. O dr. Duque foi porventura o mais notável dos muitos heróis criados por Reinaldo Ferreira,  dos quais é justo mencionar: João de Portugal, o major Herculano Malafaia, Juca, o motorista alcunhado de Menjou da Estefânia, Kiá, o rei dos repórteres, João ou José Roxo, um detective português do século XVIII, o aventureiro Mosqueteiro do Ar, e Agulha, o endiabrado ardina detective. 

FRANÇA, MÁRIO, que se considera o melhor detective do mundo, o que é corroborado pelo su amigo e escritor Miguel Miranda, divulgador das suas mirabolantes, imprevisíveis e perigosas aventuras. Reside no Porto e tem como ajudantes uma trupe de marginais com os quais contacta através de um pombo-correio.

FRANCO, JOEL, inspector da Polícia Judiciária de Lisboa, da secção homicídios, um ruivo, alto e magro, licenciado em Direito.  A profissão escolhida a dever-se muito á tragédia que viveu e o marcou, durante a sua infância de estudante seminarista. Uma noite, no seminário onde estava internado, encontrou estendido no chão, longe da camarata dormitório, maltratado, já sem vida, o seu grande amigo Augusto. Tinham ambos nove anos. A tragédia, abafada, não explicada, abalou--o, profundamente, e ele jurou a si próprio que um dia iria descobrir o que tinha acontecido. As suas investigações são relatadas pelo escritor José Pedro Rosado.

HASKINS, DICK, cidadão britânico, filho de pai inglês e mãe portuguesa, reputado repórter criminologista do jornal Times, de Londres, com estreitas ligações à Scotland Yard, um homem de 1,80 m. de altura, olhos castanhos e cabelo preto, assim o revela o seu passaporte. Mas ele é, simultaneamente, o pseudónimo do escritor português António de Andrade Albuquerque, autor dos livros que, desde1958, relatam as suas investigações.

MARCOLM, LORDE ROBERT, um aristocrata inglês, de 33 anos, de olhos cinzentos, belo, alto, forte, esbelto, inteligente, culto, bom e justo, de uma estrutura moral imaculada. O escritor W. Strong-Roos, pseudónimo de Francisco Valério Borreho de Rajanto de Almeida Azevedo traça um verdadeiro panegírico exagerado sobre a sua criatura. protagonista dos seus romances policiais, o prtmeiro dos quais datado de 1956, julgo que para de algum modo amenizar os temas abordados, sempre incidindo no pior da alma humana. 

MARQUES-SMITH, ANDRE, director do Gabinete de Informação s Imprensa do, Ministério dos Negócios Estrangeiros, e, simultaneamente, com o nome de código, Freelancer, agente da Cadmo, organização internacional de espionagem. O divulgador da sua dupla personalidade é o escritor Nuno Nepomuceno.

MAYNARD, PETER, um assassino profissional americano, sem ligação ao Sindicato do Crime, amante da música, grande leitor, dado a citações literárias e a monólogos de feição filosófica. Ele nunca aceita qualquer serviço sem primeiro saber quem é a vítima e as razões por que a querem matar, para depois fazer seu próprio juízo. Os seus casos  começaram a s ser divulgados pelo escritor McShane, pseudónimo do escritor Dinis Machado, em 1967.

NEVES  MIGUEL, inspector da Polícia Judiciária de Lisboa, da secção homicídios, ele  próprio relator das  suas investigações, através da pena do escritor Rui Araújo, de quem é pseudónimo. É casado, em segundas núpcias, com Tânia Sanz, jornalista de investigação.

PONTE, GABRIEL, ex-inspector da Polícia Judiciária de Lisboa, de quarenta e quatro anos, reformado compulsivamente por invalidez, por razões relacionadas com o assassinato do marido da sua amante, a jornalista Filomena Coutinho, caso que originou o fim do seu casamento com Patrícia Ponte, inspectora-coordenadora da Policia Judiciária de Lisboa, da brigada de homicídios. Seis anos após a sua aposentação forçada e o seu divórcio, volta à acção, a título particular, a pedido e em auxílio da sua ex-mulher. O relato das investigações do ex-casal, nas quais intervém a citada jornalista, são da autoria do escritor José Pedro Rosado.

RAFAEL, de seu nome completo Rafael Santini, padre italiano, agente dos serviços secretos do Vaticano, com um estatuto digno de um 007, para quem os fins justificam os meios, na defesa do sumo pontífice e dos altos desígnios da Igreja Católica Apostólica Romana. Quem o denuncia é o escritor Luís Miguel Rocha ao longo das suas investigações sobre os mistérios da Cidade Santa.

RAMOS, JAIME, inspector da Polícia Judiciária do Porto, um investigador já veterano, responsável pela secção de homicídios, que habitualmente faz dupla com o seu colega e amigo Filipe Castanheira. É gastrónomo, não tem família, vive sózinho, mas tem uma namorada que vive no mesmo prédio, noutro andar. Quem o conhece bem é o escritor Francisco José Viegas, que lhe ficciona as investigações desde 1989.

ULIANOV, pseudónimo de Serguei Denisovich Tchekhov, refugiado russo acomodado em Portugal, ex-KGB, ex-coronel da Spetsialnoye Nazranic (forças especiais soviéticas), que adoptou, para seu nome, a alcunha que lhe foi dada pelos seus ex-colegas. Um colosso com dois metros de altura, louro e de olhos verdes, um homem perigoso que, como ele próprio o reconhece, só pode ser, só sabe ser, ou um polícia, ou um soldado, ou um assassino. Apresentado aos leitores pelo escritor Pedro Garcia Rosado, ele vai mesmo actuar, anonimamente e em comunhão, como polícia, soldado e assassino.   

   







Para a História da LIteratura Policial Portuguesa que um dia alguém há-de escrever - 26

       ÌNDICE

Introdução

SÉCULOS XIX E XX:                                                                                                                                Na Monarquia                                                                                                                                              Na 1ª República                                                                                                                                            Na Ditadura (Estado Novo)                                                                                                                        No Portugal  Democrático

SÈCULO XXI:                                                                                                                                          No Portugal Democrático (continuação)   

CONCLUSÃO

ANEXOS:                                                                                                                                          Principais autores/cultores                                                                                                                    Principais protagonistas/investigadores                                                                                            Autores citados                                                                                                                                Colecções                                                                                                                                    Periódicos                 

BIBLIOGRAFIA GERAL