Não é para mal dos meus pecados, é por hábito antigo e curiosidade natural, ainda não desisti de viver, que compro e leio, todos os dias, um jornal de referência. A escolha é há muito o Público, que, na minha opinião, evidentemente, está entre o dizer, é o menos mau, e o dizer, é o melhor deles. Ele é, assim assim! Ora hoje, na sua primeira página, o Público, em destacadas parangonas, alerta-nos: GOVERNO PROMETEU MANUAIS GRÁTIS NOVOS MAS ENTREGA USADOS. E no seguimento, revela em letras normais: Alunos do 7.º ao 12.º só deviam receber manuais por estrear. Mas não está a acontecer com todos. Ministério justifica-se com Tribunal de Contas. Mais curioso que preocupado, pois, os meus filhos há muito que deixaram o liceu, a minha neta também, e só o meu neto que vai para o 12.º, é que está em perigo de receber um manual usado, mas que talvez ainda se possa salvar, então, repito, mais curioso que preocupado, fui ler o artigo que denunciava a calinada. A autora era a jornalista Clara Viana, o titulo era mais ou menos o mesmo, GOVERNO PROMETEU MANUAIS NOVOS MAS DISTRIBUIU USADOS, e a lenga-lenga que o acompanhava também. Comecei pelos números que, afinal, não eram nada assustadores: Distribuição de manuais gratuitos,em 2018/2019: Total 2.770.476, sendo 2.663.465 de manuais novos e 107.011 de manuais usados; Vales de manuais novos levantados:2.120.883 e de manuais usados: sem informação. Fui-me seguidamente ao historial do caso que parece bem relatado, não mencionando quaisquer controvérsias, protestos, reclamações. Destaco três pareceres: o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, apela: As famílias só devem aceitar manuais que estejam como novos, senão devem exigir que sejam trocados; o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, transmite que tanto ele como outros directores concordam com a opção do Governo: Não vemos nenhuma incongruência. Porque não seriam distribuídos os manuais reutilizados?; a presidente da Associação de Pais da Escola Secundária Rainha Dona Amélia: Na verdade, estamos muito satisfeitos com a reutilização de manuais, que vai ao encontro do que já praticávamos na escola. Afinal, então, porquê, qual a intenção daquele enviesado título, que nem sei se é da responsabilidade da jornalista, se se não se sabe sequer quantos (e se aceites) ou se houve mesmo a entrega de manuais reutilizados? Logo me recrimino: que mania esta de acreditares na teoria da conspiração. E logo para me recompor: mas não haverá mesmo bruxas?
31 de agosto de 2019
28 de agosto de 2019
LIXO
Li hoje no computador, um artigo do senhor Germano Oliveira, editor online do Expresso, em que o dito procura denegrir a doutora Elisa Ferreira, relatando um episódio acontecido há dez anos, em Outubro de 2009, durante as autárquicas para a Câmara do Porto. O artigo intitula-se A gamela,o insulto a toda a gente decente e as mulheres da nossa vida, começa com o autor a contar que tinha havido um encontro para conversações dado o seu interessa em fazer a reportagem do acontecimento, e logo revela, sem mais nem ontem: "eu estava em vantagem para o encontro, já sabia coisas dela e ela nada de mim". E logo a seguir informa que o encontro se dera no dia 2 de Outubro, e comenta: "nunca mais nos falámos e eu continuo em vantagem, sei ainda mais coisas sobre ela e você também". Mas que coisas sabia e sabe ele e nós também, conforme insinua? Durante a campanha que antecedeu as eleições, e Germano Oliveira confessa que da parte dela, teve todas as facilidades para o sua reportagem, mas não da parte de Rui Rio, Elisa Ferreira que era então deputada europeia, atirou, a certa altura, mais precisamente em 1 de Outubro: "Estou disposta a perder a gamela de Bruxelas". O que deu origem a um relato da tese da deputada, que o arquivo online do Expresso ainda guarda: "É uma grande vantagem ter alguém que não vai para a Câmara porque quer protagonismo ou porque quer gamela Eu perco uma gamela em Bruxelas para vir para o Porto por amor da cidade". Houve quem não gostasse da franqueza, mas outros sim. Prosseguindo, o senhor Germano lamenta os elogios à recente Comissária europeia, à sua promoção, criticando, em particular Rui Rio e Paulo Rangel (mas quem não critica hoje estes dois, mesmo à direita), e termina estranhando que o mérito contínuo ainda valha mais que o demérito momentâneo. Coitado do senhor Germano que teve uma gamela atravessada na garganta durante dez anos. Se este artigo não teve, não tem, intenção política, vou ali e já venho.
Confesso que estive nessa altura no Porto, onde conheci a doutora Elisa Ferreira, assisti a intervenções suas, à polémica sobre o dito, tenho o seu livro Nunca perdi o norte (2009), autografado, e sinto hoje uma grande satisfação pela sua nomeação a Comissária europeia. Ou seja, não me senti insultado pela gamela e não faço portanto parte daquela toda a gente decente do senhor Germano.
Confesso que estive nessa altura no Porto, onde conheci a doutora Elisa Ferreira, assisti a intervenções suas, à polémica sobre o dito, tenho o seu livro Nunca perdi o norte (2009), autografado, e sinto hoje uma grande satisfação pela sua nomeação a Comissária europeia. Ou seja, não me senti insultado pela gamela e não faço portanto parte daquela toda a gente decente do senhor Germano.
25 de agosto de 2019
Benfica
A equipa de futebol do meu clube, o Benfica, perdeu ontem, em casa, e bem, com a equipa de futebol do Porto. Não foi a primeira vez, não será a última. Não me espantou por aí além. Depois da vitória folgada ao Sporting, a que assisti, em conversa, eu logo disse: Nada de euforias, foi muito consentida. Muito consentidas foram também as do campeonato, e como a sorte nem sempre está disponível...... Na minha qualidade de treinador de bancada, eis os meus pareceres: A equipa do Benfica há muito que não tem uma defesa consistente (não basta ter bons jogadores). Há muito que demonstra falta de confiança no princípio dos jogos (viu-se ontem e viu-se contra o Sporting). Há muito que não tem um capitão influente (tipo Coluna, Chico Ferreira, Albino). Há muito que não tem o nível internacional que já teve (eu assisti a ele). Além do mais, o Benfica optou não por preservar, manter consigo, os jovens jogadores saídos da suas escolas de formação, os melhores claro está, mas por vendê-los. O caso mais recente foi a venda do João Félix. Um bom negócio (talvez) para o bolso, mas não para equipa, nem para o prestígio do clube (a depender muito do da equipa). E por aqui me fico.
23 de agosto de 2019
Entrevista
Refiro-me à entrevista dada ao jornal Público, por Domingos Lopes, publicada na terça-feira passada. Domingos Lopes, ex-militante e dirigente do PCP, que foi secretário de Álvaro Cunhal nos governos provisórios pós 25 de Abril. Eu aconselharia a sua leitura e reflexão aos militantes e dirigentes do PCP. "O PS é um partido sem o qual nem o PCP nem o BE conseguem fazer alterações na sociedade portuguesa.", O PCP vive a contradição insuperável de se considerar único e, ao mesmo tempo, perceber que não o é.", "E o PCP que tem sempre razão e são os outros que estão errados, é um partido que não tem futuro.", "Se reparar, pela Europa fora, aqueles que não mudaram a tempo, desapareceram.", "O PCP pode definhar, definhar, até deixar de contar", são algumas das considerações críticas do entrevistado, certeiras, incontestáveis. rematadas com uma quase blasfémia, que ele explica: "Álvaro Cunhal deixou um lastro que não é favorável ao PCP."
Mas Domingos Lopes também cometeu uma inconfidência, divulgando um dito, quase uma graçola sem graça, que o jornal noticiou em grandes parangonas, como se tratasse duma bomba: "Em 1974, Marcelo disse-me que era marxista não-leninista". O que Domingos Lopes contou, referindo-se a acontecimentos verificados na Faculdade de Direito, em 1974, foi o seguinte: "Naquela altura, em que todos eram socialistas, também lá havia um assistente, o dr. Marcelo Rebelo de Sousa. Já nessa altura capaz de coisas extraordinárias. Uma vez disse-me que era marxista não-leninista. Olhava-se para ele e via-se logo que era um pilar do marxismo". Uma boutade, claro, ele era marxista uma ova. Mas homem de Direito, atento, culto, inteligente, não duvido que tenha lido, compreendido e apreciado Karl Marx. Karl Marx, pensador genial, crítico implacável da sociedade liberal, capitalista e burguesa, que não pode ser só visto como o profeta da sociedade comunista
Mas Domingos Lopes também cometeu uma inconfidência, divulgando um dito, quase uma graçola sem graça, que o jornal noticiou em grandes parangonas, como se tratasse duma bomba: "Em 1974, Marcelo disse-me que era marxista não-leninista". O que Domingos Lopes contou, referindo-se a acontecimentos verificados na Faculdade de Direito, em 1974, foi o seguinte: "Naquela altura, em que todos eram socialistas, também lá havia um assistente, o dr. Marcelo Rebelo de Sousa. Já nessa altura capaz de coisas extraordinárias. Uma vez disse-me que era marxista não-leninista. Olhava-se para ele e via-se logo que era um pilar do marxismo". Uma boutade, claro, ele era marxista uma ova. Mas homem de Direito, atento, culto, inteligente, não duvido que tenha lido, compreendido e apreciado Karl Marx. Karl Marx, pensador genial, crítico implacável da sociedade liberal, capitalista e burguesa, que não pode ser só visto como o profeta da sociedade comunista
22 de agosto de 2019
GREVE 2
Ninguém, nem eu, acredita na teoria da conspiração, ou em bruxas. Mas e em bruxos? Devido a diligências do Governo a greve foi desconvocada, para uma pausa, para as partes em confronto, motoristas de matérias perigosas e empresários, se sentarem â mesa, dialogarem e com mais ou menos cedências de ambos, darem fim à novela. Mas, inesperadamente, tudo ruiu dada a intransigência do Sindicato dos motoristas e da Antram. Nem chegaram ao pé da mesa e entre várias declarações saliente-se a do porta-voz Pardal, do Sindicato: O objectivo é dar condições dignas a estes motoristas e não estamos preocupados em agradar aos portugueses. Nova greve foi convocada, agora para 7 a 22 de Setembro, bem mais perto das eleições legislativas. Ninguém acredita, nem eu, que a intenção era mesmo essa, que tudo tinha sido pensado e planeado, antecipadamente (por quem?). Mas que aconteceu, aconteceu.
21 de agosto de 2019
19 de agosto de 2019
Subscrever:
Mensagens (Atom)